STF começa em agosto o julgamento do chamado mensalão. Foto: internet
O governo não queria, o PT não queria, mas a oposição e a grande mídia fizeram pressão para que o julgamento dos 38 acusados de ter participado do suposto esquema chamado de “mensalão” acontecesse neste início de mês, a partir de 2 de agosto, no período eleitoral. Segundo os meios de comunicação, será o “julgamento do século”, pois o STF (Supremo Tribunal Federal) vai avaliar as condutas consideradas ilícitas de vários figurões da República durante o primeiro governo do presidente Lula, dentre eles José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, todos dirigentes petistas. Na lista há membros de outros partidos, como o denunciante Roberto Jefferson (PTB, mas os holofotes estão apenas centrados no PT, uma forma de também desgastar a legenda e a presidente Dilma.
Além dos políticos, há empresários implicados no caso, como o publicitário Duda Mendonça e o empresário Marcos Valério, apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como operador do mensalão e será julgado ao lado de outros 37 réus sete anos depois da primeira acusação sobre o esquema.
Todos alegam inocência e dizem que não houve pagamento de mesada a parlamentares em troca de apoios políticos no congresso nem durante as alianças políticas. Admitem até que houve caixa dois, ou seja, dinheiro não contabilizado na prestação de conta das campanhas eleitorais. Os recursos distribuídos, segundo alguns implicados, foram utilizados para pagar débitos eleitorais. Por isso que para eles o mensalão não existiu, foi uma invenção, um factóide criado por Jefferson e amplificado pela mídia.
Leonardo, advogado de Marcos Valério, argumenta que não houve uso de dinheiro público nos pagamentos. O advogado também alegará que somente as provas colhidas em juízo seriam válidas contra Valério. As conclusões da CPI que investigou o suposto esquema e as da Polícia Federal não poderiam ser usadas contra seu cliente. O advogado vai pedir a absolvição por falta de provas.
No entanto, segundo a Procuradoria, Valério criou um esquema que financiou o PT e partidos aliados por meio de recursos desviados, obtidos em contratos firmados com o Banco do Brasil e a Câmara dos Deputados. Empréstimos fraudulentos dos bancos Rural e BMG teriam disfarçado a origem do dinheiro.
A sorte está lançada. Para alguns analistas políticos, o debate sobre o tema não vai influenciar na eleição. Porém, a oposição vai tentar explorar ao máximo as acusações sobre os dirigentes petistas, com o apoio da grande mídia.
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