segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Profª Ivanildes: “As políticas de reparação são bem vindas”




Profa. Ivanildes autografa seus livros na lançamento.
Profa. Ivanildes autografa seus livros na lançamento.
GICULT: Além de exercer a o ofício de professora, você é uma militante do movimento negro. Como avalia a Comemoração da Consciência Negra no último mês de novembro?

IVANILDES: Gostaria que essa data tivesse sido mais comentada e divulgada no Brasil, no Estado, e na cidade de Jequié, não como propaganda comercial, mas, como um resultado de muitas lutas, a começar pela de Zumbi dos Palmares. No entanto, os poucos grupos que se reúnem com o objetivo de manter viva nossa história se fez presente nessa grandiosa data como, por exemplo, o ODEERE.

GICULT: O Governo Federal vem instituindo várias políticas de Reparação devido à exclusão histórica sofrida pela população afrodescendente. Elas têm sido importantes? De que forma o as atitudes racistas se apresentam no Brasil?

IVANILDES: Claro. As políticas de reparação são bem vindas principalmente por terem sido resultado de grandes lutas iniciadas pelos movimentos negros. Lógico que nem sempre tais políticas conseguem chegar ao seu devido destino e atingirem seu real objetivo. No entanto, o fato de entender que um País como o Brasil que camufla seus preconceitos logicamente demoraria a entender a necessidade, por exemplo, da lei 10.639/2003, a que instituiu a História e Cultura Afro-Brasileira em todas as escolas brasileiras, públicas e particulares. Assim, as atitudes racistas se dão inicialmente nos espaços escolares onde muitos não se permitem desconstruir seus preconceitos. Daí por diante contaminam todos os outros espaços como: Televisão, empregos privados, entre outros freqüentados por grupos formados com idéias racistas e preconceituosas.

GICULT: Você escreveu um livro infanto-juvenil ficcional intitulado "Azire a Princesinha de Aruanda", abordando alguns aspectos da cultura negra. Fale um pouco sobre o processo de criação, objetivos e a recepção da sociedade a este seu trabalho literário.
IVANILDES: Inicialmente esse livro fez parte de minha pesquisa de graduação. Me inquietava entender como crianças que tinham sua formação escolar pautada nos valores europeus e centravam seus conhecimentos literários em livros com importância cristianizados com símbolos e contexto dessa cultura, entenderiam literaturas com histórias e simbologia pautadas nas culturas africanas. Inquietava-me ainda mais, o fato de não ter em mãos essas literaturas por mim propostas. Foi então que resolvi escrever. Depois do livro pronto apresentei aos meus alunos. A aceitação foi tão positiva que me encorajei a inscrever o mesmo para um concurso, intitulado Edições UESB. Ganhei o concurso e a publicação do livro pela Universidade. Assim como o carinho e a aceitação do publico entre crianças adolescentes e adultas.

GICULT: O livro teve um público alvo, os jovens e adolescentes, mas fala para todas as idades. O que os leitores trouxeram de incentivo para você continuar produzindo trabalhos literários? Ainda é difícil publicar no Brasil?

IVANILDES: Como eu havia dito, a aceitação foi muito positiva para as pessoas que me conhecem e para os que eu ainda não tive o prazer em conhecer. Amigos grandiosos que tenho muito carinho sempre me incentivaram a continuar a escrever. O problema é que publicar livros por conta própria fica muito difícil pelo fato de ser caro. Facilitaria um patrocínio, porém sou muito tímida ainda quando se trata em divulgar meu trabalho. Sempre contei com ajuda dos amigos para falar desse trabalho, a exemplo do escritor Alfredo Boulos que divulgou o recentemente, sugerindo como recurso didático em seu livro "História Sociedade e Cidadania" 6° ano, editora FTD.
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- Ivanildes Moura é professora da Rede Municipal de Jequié, integrante do ODEERE (entidade ligada à UESB) e autora do livro "Azire, a Princesinha de Aruanda".

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