Author: Gidasio Silva.
A cidade de Barreiras ganha a sua universidade independente, a partir do campus da UFBA. Foto: enviada por JB
A cidade de Barreiras ganha a sua universidade independente, a partir do campus da UFBA. Foto: enviada por JB
- Por Jorge Barros, Presidente da Comissão de Mobilização pró-UNERC
“Das paixões ínfimas, o medo é a mais maldita”. (W. Shakespeare)
“Mudam os tempos, isto nenhuma força pode evitar”. (Bertolt Brecht)
Qual a sua concepção de universidade? Qual o verdadeiro papel dessa instituição de ensino diante das demandas educacionais, científicas e tecnológicas de uma sociedade pós-moderna? Você, professor, que, à custa da própria universidade, concluiu o seu doutorado em quatro ou cinco anos, deve ficar acomodado em seu laboratório, em sua sala de aula, em seu gabinete, ou deve construir ciência para dar o significado real à sua trajetória de cientista e pesquisador? Por que ter medo do novo? Por que temer os grandes desafios que a universidade e a ciência propõem? Cientista com medo de divisão de universidade é algo que a própria filosofia da ciência jamais imaginou testemunhar. O que seria da ciência se não fosse a divisão (socialização) de conhecimentos?
“Patrimônio da sociedade”
A Universidade Federal da Bahia (UFBA) está sendo dividida. Já se desvincularam dela o Campus de Cruz das Almas e o de Barreiras; brevemente será o de Vitória da Conquista. Não se tem notícias de que houve manifestações contrárias de alunos, servidores, professores, cientistas, pesquisadores etc, a esse projeto. Por quê? Porque a comunidade acadêmica dessa tradicional e conceituada universidade tem, a priori, consciência de que a UFBA não é patrimônio exclusivo de grupos de cientistas, de pesquisadores, de alunos, de servidores, da Academia, ou de nenhuma cidade baiana. A UFBA é patrimônio exclusivo da Bahia – e, por extensão, da sociedade brasileira como um todo. Também não se tem notícias de que os estudantes do campus de Cruz das Almas e de Barreiras fizeram um estúpido e grosseiro plebiscito para dizer não ao desmembramento dos mesmos. Muito pelo contrário, orgulham-se de ter seu campus independente, sua universidade autônoma, de trajetória científica e vida própria. Sabem eles que o projeto de uma nova universidade é fruto de articulações políticas de todas as agremiações partidárias; e aplaudem isso.
“Visão medíocre”
Felizmente, o pensamento racional e lógico predomina nessas comunidades universitárias. A visão medíocre de universidade não fez poso nesses campi e nem o império da ignorância, da inconseqüência, fincou pilastras nos mesmos. Quem folheou as páginas dos principais jornais da Bahia, logo após o decreto de criação da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOBA) – desmembramento do campus de Barreiras -, pela presidente Dilma Rousseff, viu a expressão de júbilo e alegria dos estudantes que concederam entrevista sobre essa grande conquista. Esses conscientes estudantes não estão preocupados com a nova sigla universitária (UFOBA), a sopa de letrinhas, mas com o crescimento e a expansão do ensino superior em sua cidade e região. A UFBA, que já se dividiu em três, continua e continuará a sua trajetória em defesa do ensino da pesquisa e da extensão para o bem da sociedade baiana.
“Diferença de concepção”
Contrários a um moderno e dinâmico projeto de universidade, professores e alunos (principalmente os oriundos de outras cidades, para ambas as categorias), do campus de Jequié, posicionam-se contra a criação da UNERC. A partir dessa realidade, é fácil perceber a diferença de concepção de universidade que têm os membros da comunidade acadêmica da UFBA e muitos membros do campus de Jequié – os que são contra a criação de uma universidade independente, autônoma. As comunidades de Cruz das Almas e de Barreiras adoraram a política de “terra arrasada” da presidente Dilma Rousseff, ao dividir a UFBA nessas duas cidades. Sabem eles que essa divisão fomenta o crescimento, a expansão, a evolução e o desenvolvimento do ensino superior e da economia de sua cidade e região. O Rei está vestido, e muito bem vestido; e quem quiser que decifre esse enigma.
- UNERC – UM DIA SERÁ CRIADA, AINDA QUE ALGUNS NÃO QUEIRAM.
- EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E CULTURA CONSTITUEM-SE NUM PATRIMÔNIO DO POVO.
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