Publicada: 01/09/2011 00:46| Atualizada: 01/09/2011 00:18
Catiane Magalhães
A denúncia publicada ontem pela Tribuna, sobre a “ordem” de despejo que a comunidade do Alto Peru, em São Caetano, recebeu do ex-deputado estadual Carlos Ricardo Gaban (então PFL), ainda não foi explicada.
Segundo a comunidade, Gaban apareceu reivindicando a propriedade do terreno, quase três décadas depois de os moradores terem recebido os títulos de posse das mãos do governo. Sem um mandado judicial, o ex-deputado esteve no local determinando que os moradores desocupassem a área em 24 horas.
Como mostram as fotos apresentadas por moradores que flagraram a cena, Gaban chegou acompanhado de um suposto advogado e pelo tenente Nonato, devidamente fardado. Os três chegaram a desmontar uma estrutura metálica onde funcionava um ponto de táxi e uma barraca de acarajé, ordenando os proprietários a sair da área.
“Chegaram aqui intimidando todo mundo, estipulando prazos para deixarmos nossas casas, dizendo que vão fechar ruas. Uma moradora passou mal ao ouvir que teria que abandonar sua barraca. Quero saber se eles têm mesmo esse poder de anular títulos de terra dado há quase três décadas, de expulsar pessoas que aqui residem há mais de 60 anos, de fechar logradouros públicos”, indagou o líder comunitário Domingos Moreira.
“Esse senhor, que agora se diz dono da gleba maior, já foi deputado e hoje trabalha na Assembleia Legislativa e usa sua influência e conhecimento para tirar proveito, inclusive retirando funcionário da guarda para nos intimidar”, alegou Dominguinhos.
A Assessoria Militar da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) informou que o tenente Nonato não integra mais o efetivo do corpo da guarda patrimonial da Casa. Segundo o Órgão, o militar foi transferido para o interior do Estado há mais de um mês, ou seja, na data da visita, ele não poderia estar em missão.
“No horário de folga, o policial pode fazer o que quiser, desde que não desrespeite a lei. Mas, se ele resolveu acompanhar o ex-deputado, seja por amizade ou por qualquer outro motivo, ele deveria fazer como civil e não de uniforme”, disse o Capitão Aranha.
A assessoria de comunicação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), secção Bahia, informou que é difícil identificar o advogado que participou da ação porque o mesmo não se identificou. A equipe de reportagem da Tribuna tentou contato com o ex-deputado Carlos Ricardo Gaban, através do gabinete do deputado estadual Paulo Azi (DEM), onde ocupa um cargo de confiança, mas não foi localizado.
De acordo com a planta baixa que Gaban deixou cair do carro, o projeto seria para implantação de um estacionamento com 75 vagas no local e o fechamento de três importantes vias do bairro: a Avenida Bananeiras e as ruas Nestor Duarte e dos Comerciários, além de derrubar um tamarineiro centenário.
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