Author: Gidasio Silva.
Diva Santana concedeu entrevista ao Gicult, em recente visita a Jequié. Foto: Gicult
No Brasil, a verdade sobre a truculência da ditadura militar - entre os anos de 1964 e a1985 - não quer vir à tona oficialmente, ao contrário do que ocorre em outros países sulamericano, como Argentina e Chile, nos quais os torturadores estão sendo punidos.
Atrocidades
Segundo Diva Santana, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais e Conselheira da Comissão de Mortos e Desaparecidos, o Congresso Nacional vai votar nesta quarta-feira (21) o projeto de lei que cria a Comissão pela Memória e Verdade, que surgiu a partir das propostas do 13º Congresso Nacional de Direitos Humanos e do trabalho realizado por um grupo instituído pelo presidente Lula. “O objetivo é tornar público todas as atrocidades da ditadura. Com muita dificuldade, depois da decisão do então presidente Lula, o projeto entrou em discussão. Ainda não está como queríamos, pois em nossos países vizinho a comissão não é só de verdade, mas inclui a justiça entre suas metas. Mesmo assim, considero um avanço a lei que está sendo discutida no Parlamento brasileiro”, opinou Diva.
Impunidade
No Brasil, as conquistas vêem aos poucos, afirmou Santana. “Com a anistia foi assim”, lembrou. Ela ainda acrescentou, indignada: “Os torturadores no Brasil nunca foram punidos com justiça. Em nosso país, ainda existe torturador no poder, mesmo depois de ter passado um operário do poder e de nós termos uma presidente que lutou contra a ditadura. Vivemos no país da impunidade. Temos leis boas, mas não são cumpridas. Elas só são aplicadas para os negros e os pobres. Estes cumprem pena, até sem terem sido condenados”.
Homenagem em Jequié
Diva, uma militante do movimento social com fortes laços familiares em Jequié, tem dois desaparecidos políticos na família, a irmã Dinaelza Coqueiro e o cunhado Vandick. O casal sumiu nos anos 1970, na Guerrilha do Araguaia que lutou contra o regime militar. Apesar das homenagens póstumas à sua irmã em várias cidades, como Jequié e Vitória da Conquista, ela lamenta a postura de alguns dirigentes municipais do passado: “Em Jequié, há várias escolas, monumentos, praças e ruas com o nome de torturadores”.
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