Com o apoio dos estudantes, professores aprovam a continuação da greve. Foto: Aplb
Além de ter derrotado o carlismo, o governador Jaques Wagner já
vai ficar na história como um dos dirigentes com menor falta de
habilidade para se relacionar com as greves dos servidores públicos,
como a dos professores.
Pressão
Como acontece em qualquer gestão, os servidores lutam por
melhores condições de trabalho e valorização. No movimento paredistas
dos professores das universidades estaduais, no ano passado, a greve se
estendeu por mais de um mês, sem diálogo, e governo cortou os salários
dos docentes. Neste início de 2012, na greve da Polícia Militar, o
estado passou por momentos de tensão. Apesar dos transtornos, mortes e
proximidade do carnaval, Wagner só cedeu e negociou indiretamente depois
de grande pressão social. Mesmo assim, após o movimento, muitos
policiais foram punidos.
Sem audiência
Apesar dos confrontos e desgaste perante a opinião pública, o
governador e sua equipe não aprenderam a encarar de forma democrática a
luta das categorias. A prova disso é a atual a greve dos professores da
rede estadual, do ensino fundamental e médio, que já chega a 80 dias sem
que o governador, diretamente ou através de um de seus secretários,
tenha sentado em audiência para negociar com o sindicato da categoria, a
APLB, para negociar e buscar uma forma de resolver o impasse. Muito
pelo contrário. O governo mantém o corte dos salários e se vangloria de
ter entrado na Justiça contra a entidade trabalhista, além de, mais
recentemente, ter convocado o Reda, PST e os recém-concursados para dar
aula no 3º nas escolas de Salvador, sem nenhum critério, como forma de
enfraquecer o movimento, segundo o sindicato. Pior de tudo: fala que
está aberto à negociação, mas não abre as contas do Fundeb para se
verificar se o governo tem condições ou não pagar o percentual de 22,22%
do Piso de forma integral este ano, conforme determina o MEC.
As propostas
Como está a situação? Depois do 77º dia de greve completado nesta
terça-feira (26), a proposta que ainda existe é a mesma apresentada
pelo governo – para a imprensa - no 66º dia de greve. Ainda sem
detalhes, a proposta para pagar o Piso é a seguinte: pagar 7% em
novembro para os docentes que fizerem um curso, excluindo os aposentados
e os docentes em estado probatório, somado aos 6,5% já concedidos a
todo funcionalismo e mais 7% em abril de 2013, também através de curso.
Em assembleia geral, a categoria rejeitou a proposição porque ela
excluía alguns grupos e não integralizava o pagamento do Piso neste ano
de 2012. Diante disso, criou-se o impasse.
O impasse
Em um ambiente democrático, a melhor forma de se resolver o
impasse seria as partes sentarem para dialogar. Porém, o sindicato
solicitou audiência, mas o governo se recusa a atender a categoria em
greve, como o faz os gestores autoritários. Por isso, estabeleceu uma
guerra: o governo tenta minar o movimento por diversos meios e a
categoria busca resistir, apesar das dificuldades de enfrentar a máquina
governamental, a Justiça e o Parlamento. Como numa guerra de conquista
territorial e de informação, os informes governistas dizem que 70% da
rede já voltaram a funcionar em todo estado. Fala em diálogo, mas a
intenção é derrotar os “inimigos” que lutam por direitos e pelo respeito
à Educação Pública, a principal vítima da intransigência e do descaso
governamental.
Exemplo de cidadania
A situação é grave, mas a sociedade está sem esperança de lutar
pela defesa da Educação Pública, apesar dos prejuízos para a
integralização do Ano Letivo. Porém, qualquer que seja o resultado da
greve, os professores já deram o exemplo de luta cidadã em defesa de
seus direitos e contra toda forma de pressão e autoritarismo, uma lição
para os que querem uma Bahia avançada e democrática.
Greve continua
Como não houve negociação, a assembléia geral dos professores,
realizada em Salvador nesta terça-feira (26), aprovou a continuação da
greve. Segundo a APLB, “a luta é pelo cumprimento da Lei. Os 22,22% é o
índice de reajuste do Fundeb, que é repassado pelo governo federal ao
governo estadual. E o reajuste foi assinado em fevereiro pela presidente
da República, Dilma Rousseff”.
Segundo o site da APLB, na assembleia de hoje (terça, 26)o
destaque também para a presença de estudantes, conscientes da justiça da
luta dos professores e contra os aulões armados pelo governo e alguns
interessados em ganhar dinheiro com a situação. No final, também foi
aprovado um calendário de luta até a próxima assembleia, dia 3 de julho,
às 9h.